Leveza predomina no SIMOF 2012

Superando as expectativas, com mais de 55.000 visitantes, o Palácio de Exposições e Congressos de Sevilha, FIBES, acolheu novamente o Salón Internacional de Moda Flamenca, SIMOF, em sua 18ª edição.  Mais que consolidado, o SIMOF continua contribuindo para o desenvolvimento de um setor tão relevante como esse, que engloba um grande leque de pequenas, médias e grandes empresas, em sua maioria da comunidade Andaluza. Além de movimentar mais de 120 milhões de euros por ano, um valor importante em tempos de crise.

O evento que aconteceu entre os dias 2 e 5 de Fevereiro e mostrou as últimas tendências da moda flamenca, contou com 24 desfiles profissionais, 01 desfile de novos talentos e cerca de 1200 trajes flamencos.  A novidade desse ano ficou por conta dos desfiles coletivos Espacio Camino, trazendo as tendências para as famosas romarias, e SIMOF Infantil.

Quinta, 2 de fev de 2012Sexta, 3 de fev de 2012Sábado, 4 de fev de 2012Domingo, 5 de fev de 2012

Como de costume, o SIMOF começou com o Certamen de Diseñadores Noveles, premiando merecidamente, em 5.000 euros o jovem Francisco Serrano Castro, Gitano, com sua coleção “Indianas”, inspirada na beleza e na força dessas mulheres. Pilar Vera foi a encarregada de abrir os desfiles profissionais, e fez muito bem, desfilou modelos bem juvenis ao estilo vitoriano. Inovou nas mangas deixando os ombros expostos e abusando dos decotes profundos.  Os tons de terra foram seus grandes protagonistas. Carmen Rodrigues, Arte y Compás e Margarita Freire marcaram presença nesse primeiro dia com lindos trajes. Curro Durán se destacou e trouxe um ar chic e sofisticado, principalmente na escolha dos tecidos, organza, musseline, gazar, todos em seda pura e, por que não, paetês! Mangas volumosas e babados nos decotes foram a grande aposta do estilista malaguenho. Encerrando o primeiro dia, Vicky Matín Berrocal, a preferida das celebridades, brincou com os contrastes, descontextualizando formas e tecidos. Arrasou mais uma vez!

“Indianas” de Francisco Serrano Castro, Gitano

Ganhador do Certamen de Diseñadores Noveles

“Mis flamencas (a la memoria de mi padre)”, Pilar Vera

“Alfileres de salitre”, Carmen Rodríguez

“Sueño de primavera”, Arte y Compás

“Carmen”, Margarita Freire

“Frontiles de camino”, Curro Durán

“Amar por amar”, Vicky Martin Berrocal

O segundo dia iniciou-se com os desfiles do Espacio Camino, espalhando um aroma rocieiro, saias mais retas, tecidos naturais – desde o algodão ao couro, estampas florais e xadrezes, e nos pés botas sem salto e as charmosíssimas espadrilhas. Bem ao estilo campo chic! Em seguida,os modelos de Molina Moda Flamenca e Loli Vera encheram a passarela de lunares e flecos. A revelação desse segundo dia foi a estilista Ana Morón, que estreou na passarela profissional com a coleção “Mil y uma noches”. Sua grande influência foi Paul Poiretinovador estilista francês e o estilo Art Deco, e o resultado não poderia ser melhor, tons de azul, bordados, sobreposições, estampas preciosas, valorização dos ombros e tudo isso com um leve toque de ousadia. Mas o destaque foi para Aurora Gaviño, mais uma vez – diga-se de passagem. Ainda que seguindo sempre seu estilo hippie chic, conseguiu surpreender e encher nossos olhos com a coleção “Despertando los Sentidos”. Onde brincou com o tema ‘atrévete a nuestro test de color y nosostros te decimos qué despierta tu vestido’, uma espécie de cromoterapia. A grande estilista apostou em saias volumosas, grandes babados, flecos, lindos acessórios e sua gama de cores veio completa. Realmente conseguiu despertar muitos sentidos!

Espacio Camino

Molina Moda Flamenca

“Daniela”, Loli Vera

“Mil y una noches”, Ana Morón

“Despertando los sentidos”, Aurora Gaviño

O terceiro dia de desfiles começou de uma forma inusitada, a estilista de Córdoba, Sara de Benitez, encheu a passarela de ‘’angels”, bem ao estilo Victoria’s Secret. Onde desfilaram flamencas sensuais, atrevidas e super femininas. Os vestidos, bem ajustados ao corpo, realçaram as curvas da mulher e cederam protagonismo aos babados, cheios de movimento, volume e muita vida. Depois foi a vez de Carmen Latorre que trouxe frescor e leveza com a coleção “Entre Naranjos”. Em seguida, Rosalía Zahíno, um espetáculo a parte. Sempre com uma temática diferente – dessa vez a comunidade gitana – a sevilhana que também é chamada de John Galliano, é especialista nos detalhes e acabamentos. Trajes  cheios de babados, corselets, amarrações, transparências e, claro, muita ousadia. Ángeles Verano coloriu a tarde com sua coleção “Alfileres de colores”. Seguida por Nuevo Montecarlo, sempre no estilo clássico sevilhano, seja pelo corte, escolha das cores ou uso dos flecos. Luchi Cabrera desfilou suas “Bandoleras”. E logo depois veio Cristo Bañez, que começou seu desfile com ares de campo, trajes “canasteros”, saias mais retas, couro e camisas. Desfilou também flamencas monocromáticas em sua maioria com apenas um babado nas saias e camisas de seda estampada com mangas húngaras.  Tudo isso com muita delicadeza e sempre valorizando o corpo feminino. Fechando a noite Sonia & Isabelle trasformaram a passarela do SIMOF em um conto mágico e infantil, com direito a Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho, flamencas é claro!

“Flamenca’s Secret”, Sara de Benitez

“Entre naranjos”, Carmen Latorre

“Gelem, Gelem”, Rosalía Zahíno

“Alfileres de colores”, Angeles Verano

“Enamórame”, Nuevo Montecarlo

“Despertares”, Cristo Bañez

“Un cuento en Sevilla”, Sonia & Isabelle

O quarto e último dia do Salón Internacional de Moda Flamenca começou cheio de vida com o desfile coletivo infantil. Grandes nomes da moda flamenca desfilaram suas criações para as pequenas e alguns pequenos flamencos. Arrancaram aplausos e muitos sorrisos do público. A continuação D’repente Lola trouxe muito romantismo com uma coleção jovial e despretensiosa. A pioneira Creaciones MariCruz, nos fez sentir na própria “Feria de Abril”, seguiu sua linha clássica mas conseguindo inovar no corte, formas e tecidos. Uma coleção diversificada para todos os gostos. A seguir veio Diseños Hermanas Serrano, propondo uma coleção – ainda que tradicional, minuciosa e cheia de detalhes. Os tons ficaram entre os pastéis, como azul celeste, rosa e marfim. Em sua maior parte, desfilou decote “V” e mangas ¾. Faly de la Feria al Rocio  apostou nas saias e camisas cheia de detalhes. A proposta foi trajes mais justos que combinam diversos tipos de babados, mangas longas e bordados. Nos acessórios brincos de argolas fazendo composição com peinetas e broches e lindos “mantoncillos”. Indiscutivelmente pura elegância. Carmen Vega propos vestidos para as mulheres jovens, divertidas, vaidosas e que gostam de chamar a atenção. Abusou dos trajes curtos, em vermelho e tons pastéis e para os detalhes laços, flores, picos e muitos babados. Finalizando a noite e assim o Salón Internacional de Moda flamenca, Juana Martín, mostrou alta costura. Inspirado no mundo toureiro e flamenco, o que vimos foram vestidos volumosos, trabalhados com muito luxo para realçar a beleza da mulher. As cores cederam protagonismo ao branco e preto, junto a uma gama de roxos e azuis, além do dourado. Decotes profundos valorizando principalmente as costas e acessórios em acetato e pedras naturais. Trajes para flamencas ou para uma inesquecível noite de festa!

Infantil

“Romántica”, D’repente Lola

“A caballo”, Creaciones Maricruz

“Aires nazarenos”, Hermanas Serrano

“Acuarela”, Faly de la Feria al Rocio

“Presumidas y coquetas”, Carmen Vega

“Gitanas en el albero”, Juana Martín

A força de suas raízes e seu estilo tão próprio que continuam admirados, elogiados e servindo de inspiração para grandes estilistas internacionais, a cada ano se adapta mais às tendências da moda “de la calle”, ou seja aquilo que está nas ruas, a moda do dia a dia. Com rendas, transparências, decotes diversos… E o que pudemos ver, de uma maneira geral, é que 2012 é o ano da leveza flamenca e paralelamente da comodidade ao se vestir, com trajes funcionais, mas que, acima de tudo te façam sentir linda e poderosa. Na paleta de cores predominam os tons pastéis, tons de azul, para quem souber compor com eles os tons de terra e como não poderia ser diferente, branco, preto e vermelho. Para as mais tradicionais os flecos nunca saem de moda. O que não podem faltar são os babados, principalmente nos decotes e nas mangas. Os acessórios continuam grandes e brilhantes. Afinal no flamenco, mais é sempre mais!

There are 7 comments

  1. Joyce

    Estou me sentindo na Espanha, no meio de um roda de flamenco, dançando livremente e alegremente. O texto me levou até ai nesse país maravilhoso. Queria eu poder me vestir assim todos os dias, linda, cheia de babados, maquiagem e muita sensualidade! Parabéns pelo texto, as fotos estão maravilhosas e a sensibilidade, como sempre, perfeita!

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