Flamenco Festival: Israel Galván único e surpreendente

Com o adiamento da apresentação de Vicente Amigo, foi Israel Galván quem abriu o Flamenco Festival, na noite de desta terça-feira, no Teatro Municipal em São Paulo.

Seus movimentos rápidos, inesperados, expressivos e envolventes, surpreenderam e emocionaram um teatro quase lotado, que foi ao delírio com a apresentação de “La Edad de Oro”, espetáculo que apresenta desde 2005.

Acompanhado por Alfredo Lagos na guitarra e David Lagos no cante, Israel parece ter saído de um desenho animado.

Mas não são seus dedos ágeis que imitam castanholas, suas poses fotográficas que homenageiam bailaores de diversas épocas, o sapateado intermitente em um só compasso, o que mais chama a atenção.

Mas talvez a aura, o humor, e, sobretudo a segurança – construída, obviamente, por suas raízes flamenquíssimas – com que se joga em movimentos precisos que mesclam tantas linguagens, que fazem dele um bailarín único e muito original.

Pela segunda vez no Brasil, (ele esteve em 2008 apresentando o ato “Solo”, na Bienal de São Paulo), Israel Galván conversou com o Flamenco Brasil:

O que sentiu ao se apresentar no Flamenco Festival no Brasil?
Foi um prazer poder me apresentar no Teatro Municipal de São Paulo, um luxo de espaço e de público. Apesar do tamanho do teatro, me senti acolhido, o público estava muito próximo e receptivo às minhas propostas, e isso, quando estamos em cena, é o melhor que pode acontecer.

Foto: Félix Vazquez

Você conhecia a comunidade flamenca no Brasil?
Um pouco, por meio da brasileira  Silvia Canarim, que morou em Sevilha e está fazendo um estudo sobre a minha obra.

É verdade que você queria ser jogador de futebol? (Perdão, mas ainda bem que não conseguiu!)
(Risos) Sim, era meu sonho de criança, mas acho que este é o sonho de muitos meninos. Não foi nada demais, continuo adorando futebol e quem sabe um dia ainda faço um espetáculo sobre meu time do coração em Sevilha, El Betis.

“La Edad de Oro” está em turnê desde 2005. Você vai continuar no ano que vem? Quais seus planos futuros?
Creio que “La Edad de Oro” não vai parar nunca. Tornou-se meu laboratório pessoal e já passou por muitas etapas. Para o ano que vem, começo a turnê de minha última criação, “La Curva” e, se tudo der certo, em dezembro agora estrearemos um novo espetáculo no Teatro Real de Madrid.

There are 3 comments

    1. Clarissa Beretz

      Mafê, o assessor do Israel me respondeu que ele ensaia todos os dias uma média de sete horas diárias. Israel tem uma vida muito saudável, não fuma, não bebe álcool e tem uma alimentação muito equilibrada. Ele finalizou dizendo que não há nada de especial para destacar, que o bailarino simplesmente trabalha e ensaia muito. Dedicado o moço, hein? Obrigada pela pergunta, nos fez conhecer ainda mais este gênio. Beijão!

Deixe uma resposta para Clarissa Beretz Cancelar