Entre Toros y Bossa Nova: Luciane Franco e o FFLAC

Autora, diretora e produtora do primeiro festival do mundo dedicado ao cinema flamenco de curtas, fala sobre as alegrias e dificuldades em organizar o evento.

É surpreendente que em meio a uma das maiores crises econômicas na Europa, a brasileira Luciane Franco, radicada em Madri há onze anos, vem conseguindo cada vez mais êxito com o festival inédito no formato de curta-metragens que criou há um ano, cujo tema é o flamenco.

Com inscrições abertas até 22 de outubro, El Festival Flamenco de Cortometrajes, FFLAC , trará pela primeira vez ao Brasil os melhores filmes da primeira edição , realizada em 2010 e os vencedores da segunda, que acontece de 8 a 11 de dezembro na
Cineteca do Centro Cultural Matadero, em Madri.

Luciane Franco e Cristina Hoyos, madrinha e presidente do júri do FFLAC  

 

A previsão é que aporte em terras brasilis em 2012. Em setembro, a diretora do festival veio a São Paulo gestionar a vinda do FFLAC, e nesta ocasião conversou com o Flamenco Brasil. “Estou muito feliz em trazer o festival ao meu país. Sobretudo por ver que a expressão do flamenco cresceu muito por aqui nos últimos anos. E sendo o flamenco uma arte multidisciplinar, quero favorecer o intercâmbio desta cultura e criar um registro contemporâneo das diferentes facetas que ela ganha nas interpretações desenvolvidas em cada país”, conta a curadora.

No ano em que o flamenco foi reconhecido como Patrimônio Imaterial Cultural da Humanidade pela Unesco, Luciane se orgulha de ter encontrado um modelo de projeto que sobrevive e cresce em meio a uma crise econômica fortíssima.“Entendi a importância deste projeto quando, no ano passado, recebi trabalhos de onze países e vi o tamanho do interesse que o flamenco desperta no mundo e suas mais diversas expressões reveladas fora de suas fronteiras geográficas”, analisa.

Mas nem tudo é cante y palmas. Em sua trajetória de 25 anos de formação artística, com prêmios conquistados no Brasil e uma longa trajetória na Espanha, a realizadora audiovisual, também bailarina profissional e ex-bailaora, trabalha sozinha como produtora para angariar apoiadores e levar adiante o festival na Espanha e esse importantíssimo arquivo da arte flamenca pelo mundo.

“Em épocas tão duras para a cultura em um país que deflagra uma crise profunda como a que Espanha atravessa, o apoio cultural real para este projeto é quase todo em forma de colaborações, sem nenhum aporte econômico. Por essa razão, travo uma batalha incansável para sensibilizar a empresas e principalmente instituições governamentais da importância de essa iniciativa”.

Ainda assim, para esta edição, Luciane conseguiu através do Instituto Andaluz del Flamenco – órgão da Junta de Andaluzia – e a Rede de Televisão Espanhola, todos os prêmios para o festival, e ainda aumentar o valor das premiações. Também estabeleceu convênios com Escolas Oficiais de Cinema do estado para prêmios de formação acadêmica aos ganhadores. (Veja abaixo)

Neste ano, o concurso foi ampliado para a participação de filmes Documentários e premiação para duas novas categorias: melhor intérprete (masculino e feminino) e melhor roteiro. (veja Box abaixo). Luciane também cria projetos paralelos voltados à formação infantil e outro projeto inédito dirigido à criação de instalações audiovisuais. Enfim, uma verdadeira plataforma histórica para o flamenco e suas “vangardias” .

Para exibir a seleção dos curtas no Brasil, Luciane conta, até agora, com o patrocínio da companhia aérea TAM – que cede suas passagens – e o interesse do Instituto Cervantes no Brasil, com quem vem conversando para abrigar o evento. Mas segue buscando apoio. “Nunca é fácil. Articulo, proponho parcerias, crio fórmulas de apoios, trabalho muito. Assim como os espanhóis atualmente, mato um touro por dia. Mas, como boa brasileira, no ritmo Bossa Nova”, descontrai.

 

Serviço:
Os curta-metragens e documentários devem ser entregues até o dia 22/10/2011. Os concorrentes devem preencher a inscrição no site http://fflac2011.com/. Onde também encontrarão todas as informações sobre o festival.

Premiação dos curtas-metragens:
1º lugar – 2 mil Euros + curso de roteiro na Factoría del Guión, em Madri.
2º lugar – 1.500
3º lugar – 1.000 Euros
4º prêmio – 800 Euros (Prêmio do Público)
Prêmios de melhores intérpretes (masculino e feminino) – Curso de Interpretação na Escuela Central de Cine de Madrid.
Prêmio de melhor Documentário – Curso Oficial de Formação em Cinema na Escuela de Cinematografía y del Audiovisual de la Comunidad de Madrid, ECAM + Prêmio RTVE – Rádio Televisão Espanhola, em dinheiro. (Valor ainda a ser confirmado).

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