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Sobre o Fandango

O fandango é o cante flamenco mais antigo e aquele que mais influenciou os demais cantes. Não obstante, a flamencología tradicional sempre o desmereceu e o relegou a um lugar que não faz jus a sua importância para o contexto geral desta arte.

As primeiras mostras de fandangos que chegaram até nós datam de 1705 e foram incluídas em uma antologia de peças musicais para violão barroco chamado “Libro de diferentes cifras” que está, atualmente, guardado na Biblioteca Nacional Espanhola. Trata-se de um manuscrito de vital importância formado por 107 peças para violão dentre as quais estão estes primitivos fandangos.

O fandango era, em sua origem, uma dança de procedência africana que entrou na Península Ibérica pelas mãos dos escravos negros.  Com o passar do tempo, e a partir de misturas com as tradições musicais populares andaluzas, converteu-se em um grande tronco que deu origem a  boa parte dos estilos do flamenco, uma vez que malagueñas, granaínas e cantes de minas também são fandangos. Além disso, as soleás, os pólos e a caña também derivaram dessa família.

Se centramo-nos na malagueña (circunscrita geograficamente na província de Málaga), que, como dissemos anteriormente, trata-se de uma variedade do fandango, percebemos que desde 1874 essa familiaridade era reconhecida.  Usando as palavras de Eduardo Ocón em seus “Cantos Españoles” comprovamos essa afirmação: “Sob a denominação de Fandango compreende-se a malagueña, a rondeña, as granaínas e as murcianas que só se diferenciam entre si pelo tom e por algumas variações de acordes”.

São estes, todo o grupo mencionado acima, alguns dos primeiros cantes flamencos elencados nas catalogações mais antigas que se tem notícia (como a de Estébanez Calderón ou Gevaert) já descritos com seus nomes e estruturas musicais básicas fixadas (segundo nos mostram as transcrições musicais de outrora).

A estrofe poética da malagueña pode estar composta por um quarteto ou um quinteto octassílabo, ainda que sempre se mantenha em seis versos devido à repetição de alguns deles. Desde o ponto de vista harmônico é um cante bimodal que combina o modo de mi com o modo maior ou menor.

Outro aspecto importante das malagueñas é o que se refere à autoria dos cantes uma vez que, em muitos casos, sabemos quem é o compositor de determinada letra ou, ao menos, a quem a tradição atribui sua paternidade. Nesse sentido temos que falar de figuras míticas como Don Antonio Chacon, Enrique “El Meliizo”, Juan de los Reyes “El Canário”, Concha “La Peñarada” ou “Fosforito El Viejo”.

Essa transcrição é, talvez, a malagueña mais famosa de todas. Sua autoria é atribuída ao cantaor gaditano Enrique “El Mellizo” (Antonio Enrique Jiménez Fernández, 1848-1906). Trata-se de um cante de beleza arrebatadora e de grande profundidade expressiva.

Abaixo, uma gravação instrumental extraída do disco “Pentagrama Flamenco” desse magnífico cante interpretado por Fhami alqhai à viola da gamba e eu mesmo, David Hurtado Torres, ao piano.

MALAGUEÑA DEL MELLIZO-1 by flamencobrasil

 

Artigo original em espanhol

Sobre el fandango

El fandango es el cante flamenco más antiguo que existe y el que más influencia ha ejercido sobre los demás cantes, a pesar de que la obsoleta flamencología tradicional lo haya denostado a una tercera o cuarta fila.
La primeras muestras de fandangos que nos han llegado datan de 1705, incluido en una antología de piezas para guitarra barroca titulada “Libro de diferentes cifras” que se custodia en la Biblioteca Nacional de España. Se trata de un manuscrito de vital importancia, formado por 107 piezas para guitarra de 5 órdenes entre las que se encuentran estos primigenios fandangos.

El Fandango era en su origen una danza de procedencia africana, que entró en la península ibérica de la mano de los esclavos negros. Con el tiempo, y fruto de la mescolanza con las músicas populares de Andalucía, se convirtió en ese gran tronco vertebrador de gran parte de los estilos del flamenco, ya que se puede considerar al Fandango como el gran padre de los cantes flamencos, ya que son fandangos las malagueñas, las granaínas, los cantes de las minas o los fandangos propiamente dichos. Así como también de él han derivado cantes tan sumamente importantes como las soleares, el polo o la caña.

Si nos centramos en la Malagueña, como ya he dicho, se trata de una variedad de Fandango (circunscrita geográficamente a la `provincia de Málaga), lo cual es algo que ya se tenía claro desde el principio, pues ya en 1874, dice Eduardo Ocón en sus “Cantos Españoles” : Bajo la denominación de Fandango están comprendidas la Malagueña, la Rondeña, las Granadinas y las Murcianas, no diferenciándose entre sí más que en el tono y alguna variante en los acordes”.

El Fandango, junto a la Malagueña, la Rondeña, la Jabera y las Granadinas –es decir, fandangos- son algunos de los primeros cantes flamencos referenciados en las listas y catalogaciones más antiguas (como las de Estébanez Calderón o Gevaert) ya con sus nombres y estructuras musicales básicas plenamente fijadas (según nos muestran las transcripciones musicales antiguas).
La estrofa poética de la Malagueña puede ser una cuarteta o una quintilla octosilábica, aunque siempre queda en seis versos debido a la repetición de alguno de ellos.

Desde el punto de vista armónico es un cante bimodal, que combina el modo de mi con el modo mayor o menor.
Un aspecto muy importante de las Malagueñas es el referente a la autoría, ya que en muchos casos se sabe quién es el compositor de estas modalidades flamencas, o al menos a quienes la tradición atribuye su paternidad. En este sentido hay que hablar de figuras míticas del cante flamenco como Don Antonio Chacón, Enrique “el Mellizo”, Juan de los Reyes “el Canario”, Concha “la Peñaranda” o “Fosforito el viejo”.

A continuación, adjunto una transcripción de la que quizás sea la malagueña más famosa de todas, la atribuida al cantaor gaditano Enrique “el Mellizo” (Antonio Enrique Jiménez Fernández, 1848-1906). Se trata de un cante de belleza arrebatada y gran hondura expresiva.

También se adjunta una grabación instrumental de este magnífico cante, interpretado por Fhami alqhai a viola de gamba y yo mismo al piano, extraído del disco “Pentagrama Flamenco” (1999)

MALAGUEÑA DEL MELLIZO-1 by flamencobrasil

4 comentários neste postComente
  1. muito obrigado
    me ajudou bastante
    valeu mesmo

  2. muito obrigado
    me ajudou bastante

  3. me ajudou muito no meu trabalho

  4. Gostaria de saber onde adquirir o álbum “Pentagrama Flamenco”
    Muito grata!

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