Entrevista com José Maya

Elegância, fogo, genialidade, força, magnetismo, “arte puro”… sinta o sabor de cada palavra, e descobrirá como é o baile de José Maya Serrano. São inúmeras as definições dos críticos a este gitano nascido em Madrid, em uma família de artistas. Podem dizer o que quiserem. A arte de José Maya é tudo isso, mas também, poesia. Como a sua alma.

Convidado pelo Festival Internacional de Flamenco de São José dos Campos, os estudiosos e admiradores do flamenco no Brasil poderão conferir de perto o trabalho deste bailaor que ministrará cursos em São José dos Campos e São Paulo.

Aos nove anos, Maya já dominava e dividia os palcos com grandes nomes do flamenco, como Antonio Canales, Juan Ramírez, Joaquín Grilo, Enrique Morente, Javier Barón, La China, só para citar alguns. Além da Espanha, países como Portugal, Holanda, Canadá, França, Itália, Alemanha e Argentina conferiram o baile deste jovem, mas maduro, artista. Prêmios também não lhe faltam – vale citar o de melhor bailarino no Certamén de Coreografia do Teatro Albéniz (2000), em Madri, por “Dos Mundos”, junto a Alfonso Losa.

O talento natural foi lapidado por mestres do baile flamenco, como Antonio Canales, Manolete e El Guito. A eles se refere com reverencia e profundo respeito: “Tive a sorte de estudar com grandes maestros, com todos eles aprendi e me ensinaram sobre a dança, a disciplina e o amor que é necessário para sapatear”.

Amante de todos os gêneros musicais, Maya levou o flamenco além das fronteiras das festas familiares, peñas e teatros. O mundo pop também já admirou o seu virtuosismo, tendo se apresentado junto a estrelas como Beyoncé, Marc Anthony y Bjork. “Foi uma experiência maravilhosa poder dividir o palco com estes grandes artistas, e ainda poder me divertir com eles fazendo fusões – para mim, toda música que nasce do coração é a mesma”.

No palco, José Maya sente o silêncio, acima de tudo. Este jovem gitano, que tem também o violão e o cante como companheiros, considera este último como o que há de mais belo no mundo – “cante é alma”. Ele, que leva a estrela dos Maya mundo afora, confessa que dançar o flamenco significa “tornar realidade desejos e paisagens que se formam em minha mente”. Para ser um bom bailaor, considera necessário “ser uma pessoa simples, apaixonado pelo cante e pela música em geral, dedicado, disciplinado e amante da noite e da vida”. Sobre o que mudou na dança flamenca masculina, demonstra sabedoria ao respoder: “nada mudou. Somos nós, os homens, que mudamos”.

Ping-pong com José Maya

  • Depois do Brasil vou para… Paris
  • A minha família é… a vida
  • Um palo que é um convite para bailar é … a Buleria, porque … me divirto!

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