por Maíra Watanabe
A sensação ao entrar no restaurante é a mesma que temos ao entrar no quintal da casa da nossa avó ou de um parente num jantar aos domingos.
Um ambiente agradável e familiar. Antes de ser restaurante, há mais de 50 anos, o espaço foi uma fundição de bronze da família Benedetti, onde foram produzidas muitas peças históricas, entre elas, uma estátua do jogador Pelé, que se encontra em Brasília, e outras peças, que estão no Museu da Independência em São Paulo.
A paella veio mais tarde. Quando a fundição acabou, o patriarca construiu duas casas para os seus filhos. Um deles, chamado Emilio Benedetti, tornou-se genro do espanhol José Gutierrez Espin, mais conhecido como “Pepe”, que lhe passou a tradição de fazer paella aos amigos e familiares. Esse costume continua até hoje. O restaurante mantém o cuidado de conservar a tradicional e artesanal “Paella do Pepe”.

Ambiente familiar com serviço personalizado
Hoje, seis primos estão a frente do restaurante. São jovens, com vontade de fazer acontecer. Cada um com uma função específica, mas quatro deles sabem preparar a mesma paella com a tradicional receita dos antepassados.
Fábio Benedetti, um dos responsáveis, tinha 10 anos quando Emílio organizava a paella aos domingos. “Quando sentia o cheiro de lenha já sabia que teríamos visitas em casa. Era sempre um momento de confraternização a hora de comer a paella”, recorda. O quintal, onde hoje estão as mesas, era de grama e ali mesmo faziam um buraco para colocar a lenha e cozinhar a comida. “Eu aprendi a cozinhar paella aos 11 anos, com todo mundo lá ajudando a preparar”, relembra.


As receitas são herança da família Benedetti
Aos poucos, os convidados foram aumentando e decidiram abrir um espaço para todos aqueles que gostariam de experimentar o tão famoso prato espanhol. Hoje, o restaurante só funciona com reservas. Segundo Camila Gonçalves, gerente de produção, “o Paellas Pepe não é um restaurante comum, tem horário para a comida ficar pronta e por isso é necessário ligar com antecedência. Se alguém chegar e estiver lotado, não tem como entrar, pois também não tem fila de espera. Existe um tratamento individual, e o ambiente
é informal. Assim ficamos mais próximos do cliente. Somos nós os responsáveis para que tudo dê certo. Cada final de semana é uma história”.
Para Fábio, o conceito do restaurante é o mesmo da simplicidade de uma cozinha. Um lugar onde as famílias se encontram e conversam, e ocorre também uma grande integração com quem prepara a comida. Muitas pessoas tiram dúvidas sobre o preparo, outras arriscam um palpite. Mas não se sentem intimidados quando pedem a receita. “Nós ensinamos sem nenhum problema. O segredo é a quantidade ideal de sal. Aqui em nossa cozinha, fazemos questão de manter a qualidade da paella usando um ingrediente caríssimo chamado açafrão, importado da Espanha. Um terço de grama custa R$ 20,00 – é um ingrediente caro. Mas mantemos a receita fiel que foi trazida pelo nosso avô da Espanha”, conta.
Cozinhar numa grande panela todos os ingredientes da paella é um grande atrativo. “Cozinhar é uma terapia, a gente se concentra, o lugar é tranqüilo, prazeroso, colocamos toda nossa dedicação. As pessoas gostam, agradecem e comem felizes – é uma recompensa”, descreve Fábio, que tem como parceiro o chef Mário Sérgio Benedetti, filho de Emílio.
Para acompanhar, uma boa dose de flamenco
Os shows de flamenco são o grande diferencial do restaurante. Camila tem o cuidado de escolher os grupos e agendar todas as apresentações durante o ano, que começaram há um tempo, com apresentações do cliente e bailaor Marcelo Tahira, que um dia se ofereceu para dançar. Possuía um tablado móvel, que podia ser adaptado em qualquer espaço.
A primeira apresentação, segundo Camila, foi um sucesso e desencadeou num projeto fixo e essencial no restaurante. “Fechei contrato com vários grupos e quis dar oportunidade para outros. Durante anos, eram sempre as mesmas apresentações. Para aqueles clientes que vinham várias vezes, acabavam assistindo ao mesmo show. No ano passado tivemos a participação de muitos
grupos se apresentando em períodos diferentes – fizemos rodízio e demos oportunidades para outros. Utilizamos o espaço do restaurante para também divulgar a arte flamenca”, diz.
Com o flamenco, o objetivo de agregar pessoas ficou maior. O restaurante investiu nas apresentações, comprando equipamento de luz, áudio e ainda aumentaram o palco. Hoje, eles se consideram não só um restaurante, mas um pequeno pólo cultural e difusor da cultura espanhola.

O tablado do restaurante já foi palco para muitos grupos de flamenco do Brasil
Algumas receitas da famíla Benedetti
Sangria
Ingredientes:
- 1 Maçã (Cortada em pedaços)
- 1 Laranja (Cortada em pedaços)
- 1 fatia grossa de abacaxi (Cortada em pedaços)
- 10 bagos de uva Rubi
- 750ml (1 garrafa) de vinho tinto suave Paellas Pepe
- ½ garrafa de espumante tipo Brüt
- 1 lata de refrigerante de limão
- Gelo
Modo de Preparo:
Corte as frutas em pedaços generosos e deixe em molho no espumante durante 2 horas. Coloque as frutas em uma jarra e acrescente o vinho e o refrigerante de limão. Complete com bastante gelo, na hora de servir.
Gambas al ajillo
Ingredientes:
- 1 Pimenta Dedo de Moça (Cortada em pedaços)
- 2 Dentes de alho (cortados na metade)
- 200g de camarão médio (limpo)
- Sal a gosto
- 150 ml de azeite de oliva extra virgem
Modo de Preparo:
Numa frigideira pequena aqueça o azeite. Coloque o alho até dourar, em seguida coloque o camarão, deixando o dourar. Assim que estiver dourado, acrescente as pimentas e desligue o fogo. Polvilhe com sal e sirva bem quente, com uma cesta de pães.

1 comentário
Regina says:
ago 30, 2011
Boa Noite!!!!!
Achei muito interessante o espetaculo de flamenco, adoro essa dança, até danço um pouquinho, gostaria de saber onde fica o restaurante…
Besos
Regina