O Flamenco como estilo de vida

Ricardo Samel

Ricardo Samel | Divulgação

O figurinista, professor e apresentador da programa Tablado Flamenco Ricardo Samel, fala sobre seu caminho no flamenco e seus estudos sobre a bata-de-cola.

Ricardo Samel é um aficionado e pesquisador de flamenco. Além de dar aulas desta linda arte, é um figurinista que trabalha para atender as necessidades dos profissionais da dança, inclusive com a majestosa bata-de-cola. Também confecciona lindos figurinos para bonecas sob encomenda e apresenta um programa de rádio voltado para o flamenco.

Sabemos da sua paixão pelo flamenco. O que mais te chama atenção nesta arte?

A capacidade de expressar os mais profundos estados da alma. Vivências…

De que maneira você descobriu o flamenco em sua vida? Como foram suas primeiras aulas?

Descobri o Flamenco sem mesmo saber o que era quando vi o filme “Os Amores de Carmen” com Rita Hayworth como protagonista. Tinha exatamente 18 anos. Gostei daquilo que vi. Achava que era dança cigana até cair nas mãos de Mabel Martin e Alberto Turina, que hoje estão na Casa D’España do RJ, e mudaram minha visão. Descobri o que era Flamenco, Dança Espanhola e Escola Bolera. Mas minha paixão era somente o Flamenco. Não completei o curso com eles e segui os estudos posteriormente com a Sonia Castrioto. As primeiras aulas foram muito duras pra mim porque sequer sabia como me comportar nem onde ficar e me senti um lixo. Essas aulas me deixaram longe do que eu esperava. Mas hoje estou aqui. Enfrentei dificuldades em todos os sentidos.

Como você começou como figurinista? E as batas-de-cola são muito trabalhosas para serem feitas?

O figurinismo surgiu de uma necessidade de encontrar alguém que soubesse fazer as saias de aula. Na época estava cursando Arquitetura, começando a dar aulas em Niterói e ao mesmo tempo aprendendo a costurar na máquina da minha mãe, pois ela não gostava de ajustá-la para os tecidos e assim acabei por começar a costurar.
Dei muitas saias para as minhas alunas de Niterói – RJ porque as usava como cobaias e foi graças a Sonia Castrioto e suas dicas que consegui desenvolver uma modelagem com os conhecimentos de Geometria Descritiva da Arquitetura.
As batas sempre foram uma curiosidade que se tornaram uma paixão pra mim embora muitos não gostem dela. São de difícil manuseio e confecção trabalhosa. Foi graças ao professor Theo Dantes da Spanish Dance Socite que consegui me interessar e me arriscar nas batas. Fora um intercâmbio, através do quadro FAPIA do jornal Balcão e via correio (internet ainda era indisponível) que fiz nos idos anos 80 com cidadãos de Melilla (norte da África), Cádiz e Sevilla que me deram algumas dicas sobre o vestuário além da história do Flamenco. A internet abriu as fronteiras e hoje tenho livros sobre o assunto.

O programa Tablado Flamenco é fruto de muita pesquisa. O que o levou a empreender este trabalho? E há quanto tempo teve esta idéia?

Na verdade a idéia foi do próprio editor do Jornal da Dança e meu chefe, Edézio Paz que é pioneiro em jornalismo voltado para o mundo da dança. Edézio também criou a Rádio JD e chamou alguns artistas para dirigir os programas ali expostos. Tem desde o Nordeste Brasileiro com a Graça Coelho até a Dança do Ventre com a Samra Sanchez. Há um programa chamado Platéia com o nosso diretor que abarca o panorama sócio-político e cultural para que o artista tenha mais acesso a outras informações imprescindíveis ao seu universo entre outros programas. Ele convidou Estrella Bohadana para falar sobre Flamenco que achou interessante dividir a grade e me convidou. O Programa Tablado Flamenco estreou em 27 de agosto de 2007 e está no ar toda terça feira de 10h às 11h.

É você mesmo quem faz a programação do conteúdo, a seleção das músicas?

Eu e Estrella temos uma sintonia muito grande quanto a isto. Utilizamos nosso acervo pessoal e selecionamos o repertório em função do tema que abordamos. Às vezes um de nós tem uma idéia que abarcamos juntos, nos sentamos e traçamos uma diretriz do assunto gerando novos programas.

Você apresenta o programa junto da Estrella Bohadana? Quando começou esta parceria?

Bem, a parceria existe desde o início e foi ela quem me convidou. Ela é a âncora e eu o comentarista, mas chegamos a um patamar que nós dois somos as duas coisas. Um casamento perfeito onde o programa é nosso filho.

Por ser um programa ao vivo, qual a receptividade que você tem com as ligações dos ouvintes?

O horário que temos foi escolhido em função da disponibilidade da rádio e dos horários vagos em comum entre eu e Estrella.
Ela é professora universitária de Filosofia e eu dou aulas em horários diversos e em duas Cidades. A receptividade vem mais dos estrangeiros por incrível que pareça. Gente do Japão, da Alemanha e do povo mais curioso sobre o Flamenco.
As pessoas estão online mas meio tímidas ainda. Talvez pelo horário ou por estar no trabalho, mas sempre tem alguém que quer perguntar algo. Daqui do Brasil a participação maior é de Campinas e de Belo Horizonte. A participação ao vivo é feita pelo messenger da rádio (radiojd@hotmail.com) e qualquer um conectado na hora pode participar. Além disso, dispomos sempre do último programa para download no link “reprise” e execução após o horário normal; o que facilita ao ouvinte escutar o programa em outro horário. O ouvinte também pode dar sua sugestão, sua crítica e divulgar sua agenda conosco como tem feito a Cadica do RS, o André Pimentel de SP e nossos amigos daqui do RJ através do email: tablado@radiojd.com.br

E nós, o que podemos esperar de novidades no programa? Há algum tipo de sorteio?

Já fizemos um sorteio em que os ouvintes respondiam por e-mail a 10 perguntas referente ao Flamenco, e a premiação foi um DVD de Flamenco Fusión, além de um CD raridades e kits de mini-peinetas. Estamos divulgando o programa junto a alguns comércios ligados ao Flamenco e esperamos contar com o apoio deles nos brindando com algum artigo para que possamos sortear. Esse primeiro sorteio fomos nós dois que bancamos. O programa tem passado por uma série de capítulos ligados a flamencologia, mas já entrevistamos o nosso diretor, a Rosanne Santiago responsável pelo Projetos Foccus Brazil, é quem trouxe para o RJ, Bobote e o cantaor Diego Amador. Além de colegas cariocas, como: Tiza e Allan Harbas diretores do Projeto Alma Flamenca.

Eu tenho muito a agradecer ao site Guiaflamenco.com pela oportunidade, pelo desbravamento de vocês e por dar um brilho a mais ao nosso país que não deixa a desejar com os nossos artistas flamencos. Em especial a minha parceira Estrella Bohadana por ter confiado em mim desde o início e ao meu chefe Edézio Paz, diretor da Rádio JD.

Ouça a o programa que é apresentado todas as terças-feiras às 10hs através do site: www.radiojd.com.br

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